A Shein poderá avançar já a 19 de agosto com a oferta pública inicial (IPO) na bolsa de Hong Kong, numa operação que deverá avaliar a plataforma de comércio eletrónico entre 30 e 40 mil milhões de dólares, aproximadamente 26 a 34 mil milhões de euros. A informação foi avançada pela Reuters, com base em fontes próximas do processo.
A empresa, sediada em Singapura, começou esta semana a apresentar a operação a potenciais investidores, numa fase que antecede o lançamento formal da oferta. A Shein não comentou, até ao momento, o calendário avançado para o IPO.
A eventual entrada em bolsa representa mais uma etapa num processo que se prolonga há vários anos. Depois de tentativas de cotação em Nova Iorque e Londres terem enfrentado obstáculos regulatórios, a empresa recebeu em julho autorização para prosseguir com a operação em Hong Kong.
A avaliação agora apontada, entre 30 e 40 mil milhões de dólares, fica substancialmente abaixo dos cerca de 98 mil milhões de dólares atribuídos à empresa numa ronda de financiamento em 2022. A redução reflete um contexto de menor crescimento, pressão sobre as margens, aumento dos custos comerciais e maior escrutínio regulatório sobre o modelo de negócio da plataforma.
Resultados pressionados por tarifas e custos comerciais
A preparação do IPO ocorre numa altura em que a Shein enfrenta uma deterioração dos resultados. No primeiro trimestre de 2026, a empresa registou um prejuízo líquido de 99 milhões de dólares, após ter apresentado um lucro de 395 milhões no período homólogo do ano anterior.
Entre os fatores que penalizaram os resultados está o fim, nos Estados Unidos, da isenção aduaneira aplicada anteriormente a pequenas encomendas de baixo valor, uma alteração que aumentou os custos associados ao modelo de distribuição internacional da empresa. A Shein reconheceu também um encargo contabilístico de 328 milhões de dólares relacionado com a reavaliação de ações preferenciais convertíveis.
A empresa opera atualmente em cerca de 160 países e construiu grande parte do seu crescimento num modelo baseado na colocação rápida de grandes volumes de novas referências no mercado e na venda direta através do comércio eletrónico.
O aumento dos custos logísticos e comerciais, a concorrência de outras plataformas digitais e a intensificação da supervisão regulatória nos Estados Unidos e na Europa têm, contudo, aumentado a pressão sobre este modelo.
Hong Kong torna-se alternativa a Nova Iorque e Londres
A escolha de Hong Kong surge depois de a Shein ter encontrado dificuldades em concretizar os anteriores planos de entrada em bolsa nos Estados Unidos e no Reino Unido.
A operação é considerada uma das maiores potenciais entradas em bolsa de uma empresa de consumo em Hong Kong nos últimos anos e poderá funcionar como teste ao interesse dos investidores por plataformas globais de comércio eletrónico num contexto de maior pressão regulatória e de menor crescimento do setor.
Caso o calendário atualmente em preparação se confirme, a Shein poderá iniciar formalmente o processo de oferta das ações a partir de 19 de agosto.