O Portal da Queixa registou 626 reclamações relacionadas com promoções, descontos e cupões nos supermercados portugueses desde o início de 2026, ultrapassando as 583 contabilizadas durante todo o ano de 2025. Os dados integram uma análise ao setor do retalho alimentar, divulgada a 22 de outubro.

No total, foram apresentadas 3406 reclamações em 2026, um aumento de 19,8% face às 2843 registadas no período homólogo do ano anterior. Julho foi o mês com mais queixas, com 456 ocorrências.

As reclamações relativas a promoções, benefícios e ofertas representam 18,77% do total, contra 12,65% em 2025. Entre os problemas identificados estão descontos não aplicados, cupões inválidos, incumprimento das condições anunciadas e dificuldades com programas de fidelização.

O atendimento continua a ser o principal motivo de insatisfação, concentrando 27,78% das reclamações. Seguem-se os problemas relacionados com a qualidade e segurança dos produtos, responsáveis por 25,93% das queixas.

Os produtos alimentares surgem em 40,37% das referências a produtos nas reclamações, com destaque para talho e charcutaria (10,66%), bebidas (9,15%), mercearia e congelados (7,56%) e frutas e legumes (6,56%).

Automação das caixas gera mais reclamações

As queixas relacionadas com a automatização dos serviços e a falta de atendimento humano passaram de 44, em 2024, para 89, em 2026, considerando períodos equivalentes. Os consumidores apontam sobretudo a substituição de caixas tradicionais por equipamentos de pagamento automático e a transferência de tarefas para os próprios clientes.

Por tipo de estabelecimento, os hipermercados concentram 53,70% das reclamações, seguidos dos supermercados de grande retalho, com 43,83%. Lisboa reúne 34,09% das queixas, seguida do Porto (16,82%) e de Setúbal (12,42%).

“Quando os consumidores procuram poupar através de promoções e programas de fidelização, esperam que as condições comunicadas sejam cumpridas e que os benefícios sejam efetivamente aplicados”, afirma Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust.

O responsável alerta também para a necessidade de conciliar a modernização tecnológica das lojas com a manutenção da qualidade do atendimento.