As empresas associadas da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) criaram 21.900 postos de trabalho entre 2020 e 2025 e empregam atualmente mais de 155 mil pessoas.

O investimento em formação aumentou 66% no mesmo período, atingindo os 40,9 milhões de euros em 2025.

Os dados constam do estudo "O Valor das Nossas Pessoas", desenvolvido pela APED em parceria com a consultora Forvis Mazars e apresentado a 8 de outubro, em Lisboa. O trabalho analisa a evolução do emprego, das condições laborais e da qualificação dos trabalhadores nas empresas associadas dos setores alimentar e não alimentar.

Uma das principais conclusões diz respeito à estabilidade dos vínculos laborais. Cerca de 85% dos colaboradores destas empresas têm contratos sem termo, acima dos 71% indicados como média nacional.

A formação é outra das áreas em destaque. Em 2025, cada trabalhador recebeu, em média, 45 horas de formação, num período em que a digitalização e a introdução de ferramentas de inteligência artificial estão a alterar funções e competências no setor.

O estudo revela ainda que 53% dos cargos de chefia são ocupados por mulheres. A diferença salarial ajustada entre homens e mulheres situa-se nos 2,7%, abaixo dos 10,8% apresentados como referência nacional.

O emprego jovem tem também um peso significativo. Os trabalhadores até aos 24 anos representam 17% do total nas empresas analisadas, comparativamente aos 6% registados a nível nacional. As equipas reúnem profissionais de 62 nacionalidades.

Digitalização e retenção de trabalhadores entre os principais desafios

A apresentação do estudo reuniu responsáveis de recursos humanos de empresas como Jerónimo Martins, Sonae MC, Lidl, Auchan, FNAC Darty, Norauto, El Corte Inglés e Perfumes & Companhia.

Os debates centraram-se nas dificuldades de recrutamento e retenção de trabalhadores, na integração de diferentes gerações e nacionalidades e na necessidade de adaptar a formação às mudanças tecnológicas.

A comunicação interna foi apontada como um instrumento importante para integrar equipas cada vez mais diversificadas. A formação e a literacia foram igualmente identificadas como fatores relevantes para combater preconceitos e promover ambientes de trabalho mais inclusivos.

A inteligência artificial mereceu particular atenção, nomeadamente numa intervenção de Tiago Forjaz, Managing Partner da The Epic Talent Society, dedicada ao futuro do trabalho no retalho.

Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da APED, sublinha que as empresas enfrentam mudanças que vão além da tecnologia: «Hoje vivemos desafios intensos, desde a transformação digital e aceleração da Inteligência Artificial à complexa revolução demográfica».

Na sessão de encerramento, José António Nogueira de Brito, presidente da APED, destacou a importância das competências humanas num setor que depende do contacto direto com os consumidores: «A qualificação tecnológica é fundamental e o nosso investimento prova-o, mas a tecnologia jamais substituirá a competência humana, a proximidade, o aconselhamento e a empatia que caracterizam o nosso serviço».

O estudo evidencia o peso das empresas associadas da APED no emprego nacional e o aumento dos recursos destinados à formação. Num setor marcado pela transformação digital, pela diversidade dos perfis profissionais e pelas dificuldades em atrair e reter trabalhadores, a qualificação das equipas assume uma importância crescente para a organização das operações e a adaptação das empresas.